O nível atlético influencia na recuperação após o treino?

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Objetivo do Estudo

O estudo investigou o impacto do nível de aptidão física na recuperação após sessões agudas de treinamento de força (STR) e treinamento intervalado de alta intensidade (HIIT). Um objetivo secundário foi avaliar a influência do Total Fitness Score (TFS)—um índice baseado na força de preensão manual (HGS) e no máximo consumo de oxigênio (V̇O2max).


Metodologia

Participantes

  • 28 indivíduos treinados em força
  • Critérios de inclusão: treinar resistência inferior pelo menos duas vezes por semana nos últimos 6 meses.
  • Critérios de exclusão: histórico de lesão, uso de suplementos ergogênicos ou anti-inflamatórios acima de 1200 mg por semana.

Os indivíduos foram divididos em 19 homens e 9 mulheres.

Variável Homens (n=19) Mulheres (n=9) Total (n=28)
Idade (anos) 27.5 ± 4.9 27.8 ± 5.6 27.6 ± 5.2
Peso corporal (kg) 84.0 ± 12.6 68.3 ± 11.5 78.7 ± 14.6
VO₂máx (ml/kg/min) 40.4 ± 7.6 36.0 ± 3.8 38.9 ± 7.0
Força de preensão manual (kg) 56.8 ± 8.0 34.5 ± 3.3 49.5 ± 12.6
Força de preensão relativa (kg/kg) 0.69 ± 0.13 0.52 ± 0.07 0.63 ± 0.14
Leg press estimado 1RM (kg) 283.0 ± 75.4 191.0 ± 65.0 253.4 ± 83.6
Leg press relativo (kg/kg) 3.4 ± 0.9 2.7 ± 0.5 3.22 ± 0.9
Potência aeróbica máxima (W) 262.3 ± 34.3 225.6 ± 52.5 250.7 ± 42.9
10RM Leg Press (kg) 250.7 ± 66.8 168.8 ± 57.5 224.3 ± 73.9

Classificação por Aptidão Física (Total Fitness Score – TFS)

Os participantes foram agrupados em três níveis de aptidão com base no TFS, que combinava força de preensão manual (HGS) e potência aeróbica máxima (MAP).

  • Grupo Alto TFS (n = 9)

    • Maior força e capacidade aeróbica.
    • Executaram maior volume de treino, mas se recuperaram no mesmo ritmo que os outros grupos.
  • Grupo Médio TFS (n = 9)

    • Desempenho intermediário entre os grupos.
  • Grupo Baixo TFS (n = 10)

    • Maior fadiga após o HIIT (redução significativa no RSImod imediatamente após o exercício).

Desenho do Estudo

  • 8 sessões de teste em 14 a 17 dias

  • Treinos realizados:

    • STR (Força): 4 séries de 10 repetições no leg press com 90 segundos de descanso.
    • HIIT: 5 sprints de 2 minutos a 95% do MAP em uma bicicleta ergométrica, com 1 minuto de descanso.
  • Testes Físicos:

    • Isometric Midthigh Pull (IMTP):
    • Countermovement Jump (CMJ):
    • Modified Wingate Test (WINmod):
  • Coleta de Dados:

    • Testes realizados antes, imediatamente após, 6h e 24h após os treinos.
    • Comparação entre três grupos de aptidão (baixo, médio e alto TFS).

Resultados Principais

  1. Declínio de Força e Potência

    • Ambos os treinos (STR e HIIT) reduziram a força máxima (Peak Force – PF) por até 6 horas.
    • No STR, a perda de força persistiu por até 24 horas.
    • O HIIT afetou a altura do salto (JH) e potência (PP) apenas imediatamente após o treino, mas a recuperação ocorreu em 6 horas.
  2. Fadiga Neuromuscular

    • Após o STR, a capacidade de gerar força rapidamente (RFD) caiu imediatamente e se recuperou após 6 horas.
    • Após o HIIT, não houve queda significativa na RFD, sugerindo menor impacto neuromuscular.
  3. Impacto do Nível de Aptidão (TFS)

    • No HIIT, indivíduos com baixo TFS apresentaram maior redução no RSImod imediatamente após o exercício.
    • No STR, indivíduos com alto TFS tiveram maior deslocamento excêntrico no salto (ED) após 24h, indicando melhor eficiência na recuperação.
  4. Carga de Treino

    • Indivíduos com alto TFS realizaram maior volume de trabalho em ambas as sessões sem comprometer a recuperação.

Conclusões e Aplicações Práticas

  1. O treino de força (STR) causa fadiga mais prolongada (24h) do que o HIIT (6h).
  2. Indivíduos mais aptos (alto TFS) conseguem recuperar o desempenho no mesmo ritmo dos menos aptos, apesar de realizarem mais trabalho.
  3. A recuperação do HIIT está mais relacionada ao metabolismo energético, enquanto a do STR está mais associada ao sistema neuromuscular.
  4. Treinadores devem considerar a aptidão individual ao planejar sessões de treino para otimizar a recuperação e desempenho.

 

Referência

Grammenou, M, Kendall, KL, Wilson, CJ, Porter, T, Laws, SM, and Haff, GG. Effect of fitness level on time course of recovery after acute strength and high-intensity interval training. J Strength Cond Res 38(12): 2055–2064, 2024

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